✦ Acervo Histórico

A HISTÓRIA DO RINCÃO

De antigo refúgio dos caçadores de Sambaquis e rota da Coroa Portuguesa a um dos balneários mais importantes e belos do Sul de Santa Catarina. Uma pesquisa de Elza de Mello.

4000
Anos (Sambaquis)
1676
Sesmarias
1995
Elevação a Distrito
12 km
De Praias
Livro I

AS ORIGENS DO BALNEÁRIO RINCÃO

Para falar do Balneário Rincão, colocando-o numa data histórica, é preciso ir além na história do município de Içara. É necessário uma retomada de 4000 a 2000 anos, com base no sítio arqueológico pré-cerâmico, o homem dos Sambaquis. O sítio Arqueológico foi construído por um grupo de caçadores e coletores pré-históricos, que instalaram sua aldeia sobre dunas, ali vivendo dos recursos de caça, pesca e coleta de moluscos e vegetais.

Uma amostra de materiais líticos marca a presença humana em toda a área. Além disso, desde 1560, europeus e índios vagavam pelas costas das praias, que oferecia um itinerário seguro. Para datarmos o povoamento, vamos a 1676, quando Francisco de Brito Peixoto fundou Laguna, a grande sesmaria que se estendeu por todo o sul de SC. Em 1715, recebeu ordens para abrir um caminho terrestre ligando Laguna à Colônia de Sacramento. João de Magalhães comandou a epopeia.

ℹ️ O Projeto Açoriano: Em 1738, o Brigadeiro José da Silva Paes deu sustentação ao projeto de trazer para Santa Catarina os casais açorianos. Entre 1748 e 1753, levas de casais partiram para ocupar suas sesmarias. Por preferirem vias terrestres seguras, desceram a orla ocupando rincões desabitados. Em 23 de julho de 1770, João da Costa Silveira registra-se como sesmeeiro entre os rios Urussanga e Araranguá.

As sesmarias deram ao Balneário Rincão a sua origem fixada primeiramente no povoado de Urussanga Velha. Em documentos oficiais, encontramos a denominação de Rincão Comprido, mas na oralidade o povo sempre a denominou Praia do Rincão.

"O primeiro abrigo construído no Rincão foi a 'Casa da Nação', uma casa de pouso erguida em pedras e óleo de baleias entre o Capão dos Papagaios e a lagoa dos Freitas. Nela o viajante pernoitava ou a comitiva real descansava as montarias em inspeções ao sul."

A CHEGADA DOS VERANISTAS E O DESENVOLVIMENTO

Com a exploração do carvão em Criciúma, a praia ganhou conhecimento das pessoas abastadas para banhos de mar. Porém, as dunas impediam o acesso de veículos. Criou-se um posto de passagem; cobriam as areias com esteiras tecidas com junco ou pranchões de madeira que deram à costa de um navio naufragado. Para manter as esteiras, pagava-se um pedágio gerenciado por Gustavo Osório dos Santos.

Pioneiros e Primeiros Moradores

  • Residentes fixos (1914): Vicente de Jesus (esteiras), Antônio Machado (capelão), Rafael Viscardi (carpinteiro), Osvaldo da Cruz e Luiz Fernandes.
  • Primeiros comerciantes: José Búrigo (1946), Jacó Víctor Cruz, Vital Mariano.
  • Primeiros veranistas: Addo Caldas Faraco, Elias Angeloni, Bepe Casagrande, Jorge Carneiro, Marcos Rovaris, Heriberto Hülse, Abílio Paulo, entre outros.

Em 1943 foi construída a primeira igreja, feita em mutirão. Em 21/12/1951, Rincão foi considerado área de repouso e perímetro urbano. A partir de 1960, com a estrada solada com barro e pirita, o balneário teve um crescimento explosivo, gerando o apogeu da pesca artesanal para os mercados de Criciúma.

Emancipação e Crescimento: Elevado à categoria de distrito em 31/05/1995. Hoje, Rincão é administrado de forma autônoma, ostentando 7km de perímetro urbano e se destacando como uma bela cidade no sul catarinense.
📍 Localidade

URUSSANGA VELHA

Urussanga Velha foi a continuidade da sesmaria de Laguna. É o lugar mais antigo do município, ocupado no final do século XVIII por João da Costa Silveira. Os moradores viviam da caça farta e da pesca. Utilizavam as coivaras para garantir a farinha para o pirão e a exportação para abastecer o exército em Laguna.

Há indícios de um possível quilombo entre Urussanga Velha e Jaguaruna, servindo como ponto estratégico para ocultação de escravos fugidos. Em 1820, o naturalista francês August Saint-Hilaire atravessou a região documentando os hábitos da nossa gente.

Fé e Educação

A primeira capela (pau-a-pique) dedicada a São Sebastião originou-se por volta de 1825. Para o Cônego Bernardo Philipe, São Sebastião é a mãe de todas as capelas da região. Na educação, em 1898 o professor Salustiano Nunes de Mello fundou a Escola Mista de Urussanga Baixa.

No dia 28 de maio de 1933, a localidade foi elevada a distrito (Distrito de São Sebastião, depois Distrito de Aliathar Martins), tendo Gervásio Teixeira Fernandes como seu primeiro intendente.

📍 Localidade

COMUNIDADE DE PEDREIRAS

Pedreiras (ou Lombas Pedreiras) resultou da mesma sesmaria primitiva. Acredita-se que a família Silva, de origem açoriana, tenha sido a primeira a se fixar ali. Eles possuíam carretas de transporte para Garopaba e moravam em uma casa assobradada de pedras. Posteriormente chegaram as famílias Silveira, Réus, Marcelino, Cardoso, entre outras.

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Trabalho e Tradição

As mulheres trabalhavam em serões e madrugadas tecendo roupas de linho e algodão. A alimentação baseava-se em pirão com peixe, arroz, paçocas e broas. A lendária D. Alexandrina de Souza Silveira tornou-se famosa como tecelã e doceira em toda a região.

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Cultura e Lazer

A Cancha da Marambaia movimentava corridas de cavalos. O salão Clube Recreativo 12 de Julho trazia bailes e domingueiras. As fortes raízes açorianas mantiveram vivos o Terno de Reis e o Boi de Mamão.

Em 1968, a comunidade mobilizou-se para construir a capela de Nossa Senhora Aparecida. Pedreiras sempre teve forte atuação política, elegendo vereadores históricos desde a emancipação de Içara, e hoje desponta com comércio próprio, posto de saúde e praças estruturadas, ligada ao Rincão pela SC-444.

📍 Localidade

LAGOA DOS ESTEVES E FAXINAL

Foi a segunda sesmaria da região, pertencente a Estêvão Bernardino da Silva (meados de 1850). Devido às difíceis condições das areias, foi a comunidade que permaneceu mais tempo em isolamento. Vivendo dos ricos recursos da flora (como o butiazeiro), construíram a capela de São Jorge com uma imagem de bronze trazida dos Açores.

🚨 A Tragédia do Macchi 9 (1920): Em 16 de agosto de 1920, um hidroavião rumo a Buenos Aires fez pouso de emergência na lagoa. O piloto inglês John Pinder e o tenente brasileiro Aliathar Martins tentaram o conserto, mas sofreram um acidente fatal na água devido ao peso dos uniformes. O evento trouxe militares para a pacata vila e causou profundo alarme na época.

Com o crescimento, as famílias precisaram de terras mais férteis, dando origem às localidades de Coqueiros e Faxinal. Somente em 1949 a estrada local começou a ser pavimentada, graças à contribuição incansável do Sr. Jorge Fortulino da Silva, que balizou as vias ajudando no fim do longo isolamento da região.

📍 Localidade

A HISTÓRICA BARRA VELHA

Em busca de riquezas e ligações terrestres seguras, a Barra Velha do Araranguá estabeleceu-se como um passo obrigatório. Em 1773, foi designada ao major Antônio Tavares. D. José Coutinho (1816) e August Saint-Hilaire (1820) deixaram relatos preciosos sobre as refeições fartas (peixe e farinha) e os altos pedágios cobrados nas travessias das tropas.

O povoado era formado por ranchos de pau-a-pique de pescadores caiçaras (famílias Lucas Euzébio, Lemos, Pacheco, entre outras). Enquanto o homem pescava a sardinha, a mulher trançava a palha de butiá. Em 1940 a comunidade ergueu a Capela de Santo Antônio.

Hoje enquadrada na área urbana, a Barra Velha evoluiu com a chegada do transporte e energia nos anos 70, lutando firmemente por infraestrutura e despontando com belezas únicas, pronta para competir com grandes balneários do litoral.

PRESERVANDO O PASSADO

O Balneário Rincão é um berço histórico. Conhecer suas origens é o primeiro passo para garantir um futuro de desenvolvimento sustentável e respeito às tradições açorianas.

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