AS ORIGENS DO BALNEÁRIO RINCÃO
Para falar do Balneário Rincão, colocando-o numa data histórica, é preciso ir além na história do município de Içara. É necessário uma retomada de 4000 a 2000 anos, com base no sítio arqueológico pré-cerâmico, o homem dos Sambaquis. O sítio Arqueológico foi construído por um grupo de caçadores e coletores pré-históricos, que instalaram sua aldeia sobre dunas, ali vivendo dos recursos de caça, pesca e coleta de moluscos e vegetais.
Uma amostra de materiais líticos marca a presença humana em toda a área. Além disso, desde 1560, europeus e índios vagavam pelas costas das praias, que oferecia um itinerário seguro. Para datarmos o povoamento, vamos a 1676, quando Francisco de Brito Peixoto fundou Laguna, a grande sesmaria que se estendeu por todo o sul de SC. Em 1715, recebeu ordens para abrir um caminho terrestre ligando Laguna à Colônia de Sacramento. João de Magalhães comandou a epopeia.
As sesmarias deram ao Balneário Rincão a sua origem fixada primeiramente no povoado de Urussanga Velha. Em documentos oficiais, encontramos a denominação de Rincão Comprido, mas na oralidade o povo sempre a denominou Praia do Rincão.
"O primeiro abrigo construído no Rincão foi a 'Casa da Nação', uma casa de pouso erguida em pedras e óleo de baleias entre o Capão dos Papagaios e a lagoa dos Freitas. Nela o viajante pernoitava ou a comitiva real descansava as montarias em inspeções ao sul."
A CHEGADA DOS VERANISTAS E O DESENVOLVIMENTO
Com a exploração do carvão em Criciúma, a praia ganhou conhecimento das pessoas abastadas para banhos de mar. Porém, as dunas impediam o acesso de veículos. Criou-se um posto de passagem; cobriam as areias com esteiras tecidas com junco ou pranchões de madeira que deram à costa de um navio naufragado. Para manter as esteiras, pagava-se um pedágio gerenciado por Gustavo Osório dos Santos.
Pioneiros e Primeiros Moradores
- Residentes fixos (1914): Vicente de Jesus (esteiras), Antônio Machado (capelão), Rafael Viscardi (carpinteiro), Osvaldo da Cruz e Luiz Fernandes.
- Primeiros comerciantes: José Búrigo (1946), Jacó Víctor Cruz, Vital Mariano.
- Primeiros veranistas: Addo Caldas Faraco, Elias Angeloni, Bepe Casagrande, Jorge Carneiro, Marcos Rovaris, Heriberto Hülse, Abílio Paulo, entre outros.
Em 1943 foi construída a primeira igreja, feita em mutirão. Em 21/12/1951, Rincão foi considerado área de repouso e perímetro urbano. A partir de 1960, com a estrada solada com barro e pirita, o balneário teve um crescimento explosivo, gerando o apogeu da pesca artesanal para os mercados de Criciúma.
URUSSANGA VELHA
Urussanga Velha foi a continuidade da sesmaria de Laguna. É o lugar mais antigo do município, ocupado no final do século XVIII por João da Costa Silveira. Os moradores viviam da caça farta e da pesca. Utilizavam as coivaras para garantir a farinha para o pirão e a exportação para abastecer o exército em Laguna.
Há indícios de um possível quilombo entre Urussanga Velha e Jaguaruna, servindo como ponto estratégico para ocultação de escravos fugidos. Em 1820, o naturalista francês August Saint-Hilaire atravessou a região documentando os hábitos da nossa gente.
Fé e Educação
A primeira capela (pau-a-pique) dedicada a São Sebastião originou-se por volta de 1825. Para o Cônego Bernardo Philipe, São Sebastião é a mãe de todas as capelas da região. Na educação, em 1898 o professor Salustiano Nunes de Mello fundou a Escola Mista de Urussanga Baixa.
No dia 28 de maio de 1933, a localidade foi elevada a distrito (Distrito de São Sebastião, depois Distrito de Aliathar Martins), tendo Gervásio Teixeira Fernandes como seu primeiro intendente.
COMUNIDADE DE PEDREIRAS
Pedreiras (ou Lombas Pedreiras) resultou da mesma sesmaria primitiva. Acredita-se que a família Silva, de origem açoriana, tenha sido a primeira a se fixar ali. Eles possuíam carretas de transporte para Garopaba e moravam em uma casa assobradada de pedras. Posteriormente chegaram as famílias Silveira, Réus, Marcelino, Cardoso, entre outras.
Trabalho e Tradição
As mulheres trabalhavam em serões e madrugadas tecendo roupas de linho e algodão. A alimentação baseava-se em pirão com peixe, arroz, paçocas e broas. A lendária D. Alexandrina de Souza Silveira tornou-se famosa como tecelã e doceira em toda a região.
Cultura e Lazer
A Cancha da Marambaia movimentava corridas de cavalos. O salão Clube Recreativo 12 de Julho trazia bailes e domingueiras. As fortes raízes açorianas mantiveram vivos o Terno de Reis e o Boi de Mamão.
Em 1968, a comunidade mobilizou-se para construir a capela de Nossa Senhora Aparecida. Pedreiras sempre teve forte atuação política, elegendo vereadores históricos desde a emancipação de Içara, e hoje desponta com comércio próprio, posto de saúde e praças estruturadas, ligada ao Rincão pela SC-444.
LAGOA DOS ESTEVES E FAXINAL
Foi a segunda sesmaria da região, pertencente a Estêvão Bernardino da Silva (meados de 1850). Devido às difíceis condições das areias, foi a comunidade que permaneceu mais tempo em isolamento. Vivendo dos ricos recursos da flora (como o butiazeiro), construíram a capela de São Jorge com uma imagem de bronze trazida dos Açores.
Com o crescimento, as famílias precisaram de terras mais férteis, dando origem às localidades de Coqueiros e Faxinal. Somente em 1949 a estrada local começou a ser pavimentada, graças à contribuição incansável do Sr. Jorge Fortulino da Silva, que balizou as vias ajudando no fim do longo isolamento da região.
A HISTÓRICA BARRA VELHA
Em busca de riquezas e ligações terrestres seguras, a Barra Velha do Araranguá estabeleceu-se como um passo obrigatório. Em 1773, foi designada ao major Antônio Tavares. D. José Coutinho (1816) e August Saint-Hilaire (1820) deixaram relatos preciosos sobre as refeições fartas (peixe e farinha) e os altos pedágios cobrados nas travessias das tropas.
O povoado era formado por ranchos de pau-a-pique de pescadores caiçaras (famílias Lucas Euzébio, Lemos, Pacheco, entre outras). Enquanto o homem pescava a sardinha, a mulher trançava a palha de butiá. Em 1940 a comunidade ergueu a Capela de Santo Antônio.
Hoje enquadrada na área urbana, a Barra Velha evoluiu com a chegada do transporte e energia nos anos 70, lutando firmemente por infraestrutura e despontando com belezas únicas, pronta para competir com grandes balneários do litoral.